Não devemos nos acostumar

12/06/2017 0 comentário(s)

 

Não devemos nos acostumar...

Com a corrupção e ter receio de ser ético;

Com a violência diária contra idosos, menores, incapazes ou animais e sair compartilhando cenas como se fosse algo normal;

Com a falta de creches e escolas para nossas crianças;

Com a violência obstétrica – aquela praticada contra a parturiente (mulher em trabalho de parto) seja por quem quer que seja!

Certa vez, pedi para que um pai se retirasse do local de parto. Motivo? Durante toda minha assistência ele repetia à sua mulher:

- Você quem quis, agora aguenta! Eu não quis este filho.

O bebê nasceu bem, através de um parto humanizado. E percebemos que com malformações – ausência de dois dedos – em uma das mãos.

Daí ele completou:

- É da sua família. Já tenho filhos e nenhum aleijado!

Não sei exatamente o que leva um médico a ser obstetra. Nunca tive dúvidas. Cresci dizendo que seria “médica de mulheres”. Mas fui fazendo escolhas no decorrer dos anos...

Logo de cara, passei em um concurso público municipal e pedi exoneração depois de 13 anos. Motivo? Perceber que aquilo me adoecia. Cheguei a fazer 11 partos em 12 horas de plantão. Baixo risco? Alguns... Outros não. Neste dia quase fui agredida fisicamente (verbalmente não levava em conta) por uma mãe de uma parturiente que queria que eu fizesse uma episiotomia (“pique” no períneo) sem nenhuma indicação.

Para fazer parto humanizado é preciso ter disponibilidade, ter tempo, fugir da pressa! Então existem 2 opções: a primeira fazer o que é certo e não atender convênios (que não pagam por todas as horas de assistência) ou ser honesto com as pacientes e dizer “eu não faço partos normais”. Neste último caso, acho que nos colocamos ao lado de mulheres que lutam por um atendimento digno. Sair inventando indicações só desvaloriza nossa classe! Torço muito para que a assistência obstétrica no Brasil melhore. Isto não se resume apenas em diminuir número de cesarianas, mas de aumentar partos com respeito!

Leia mais:

6 passos pra vencer o medo do parto normal


 

Dra. Ana Cristina de Castro

Ginecologista e obstetra, formada em Medicina pela Universidade Federal de Goiás (1998), Residência Médica em Gineco/Obstetricia (2000) e especialista com título pela FEBRASGO;

Atende em Goiânia na Clínica CENDI, situada à av T 1, n 2424, setor Bueno, Goiânia-GO. Fones: (62) 3096 7445 ou (62) 98622 1156

Atende todas as faixas etárias e não só gestantes.


0 comentário(s) em Não devemos nos acostumar

Deixe sua opinião, faça parte, compartilhe!

Comente você também! Não divulgamos dados confidenciais. Seu e-mail estará seguro conosco!
Todos os campos são obrigatórios.

Preenchimento obrigatório.

Preenchimento obrigatório.